NOITE DE SÁBADO

Como o vento o tempo vem e refresca nossa alma

Mas pode também arrastar nossos pertences

E lançá-los a quilômetros de distância

 

Mas o vento seria fácil falar quem é o culpado

A natureza é claro, mas já o tempo

Não adianta, quanto mais reclamamos

Mas somos culpados por perder nosso precioso tempo

Hoje ao digitar esse poema resolvi perder tempo
Talvez em substituir a leitura diária de um texto da faculdade
Por entrar em contato com o vizinho invisível
O ouvinte mais assíduo e menos barulhento que tenho

Expressando meus pensamentos de mim para mim

E os despejando aqui, nesse domínio indeterminado

Que pode ter tantas respostas como perguntas

Mas voltando ao tempo, ele é o motivo da maioria de nossas reclamações
Talvez seja porque nunca nos demos bem com certas pressões
Mas tenho a impressão que ele sempre está correndo
E tira folga apenas nos domingos intermináveis

Eh, nem sei porque estou aqui falando do tempo
Talvez por querer não dormir para vê-lo passar
Ou por não conseguir alcançar e dominá-lo
De tanto que temos que fazer acabamos por fazer nada

E pior do que gastar o tempo com coisa errada
É vê-lo passar sem nada fazer de útil
Nem que seja escrever pensamentos estranhos numa noite de sábado

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MENINO

Olho esse menino meio tímido
De semblante desconfiado e jeito roceiro
De sotaque mineiro
Ah, menino que pensa ser homem
Deseja ser como os outros
Mas em sua essência não deixa de ser um menino
Gentil e inoscente, teimoso e mimado
Hoje, já é um rapaz
Mas não deixou de ser aquele menino
Na vida, entre tombos e levantadas
Aprende a sobreviver na selva da cidade
Para evitar sofrer, tenta imitar os que aparentam mais fortes
Mais ainda não descobriu que possui a melhor essência de ser menino
Ama como nunca amou, sofre por tanto amar
E de tanto amor, pensa que o melhor seria deixar de amar
Que essa dor sairia do seu peito…
Espero que de tanto tentar, não esqueça que o tempo passa
E que esse momento não mais voltará
Menino, não perca tempo, você é assim…

NO MEIO DO TEMPORAL

Pensava estar sonhando
Meu coração palpitava de emoção, meu corpo suava de nervosismo.
Era você, se aproximando… 

Com seu olhar doce, jeito meigo e atencioso
Talvez tenha conquistado meu coração
Ah, como aquele tempo era bom
Talvez o verdadeiro sentido de padecer no paraíso 

Mas como dizem por aí, nem tudo é só flores
Hoje, me vi em meio aos espinhos
E ao olhar para o lado, não o reconheci 

Onde estão aqueles olhos, em que lugar perdi sua atenção
Me distraindo na estrada de tijolos de ouro, não percebi que me distanciava de você
No temporal de impressões, tentei parar o tempo, não conseguiImaginei como sair desse pesadelo, mas me belisquei

Com meus sentimentos amarrotados de dúvidas e medos
Não sabendo se continuo a encontrar o caminho que me leva a você
Ou desisto e deixo o mar me levar… 

Feminina, não me contento em esperar e este talvez seja meu maior defeito
Não saber a hora em que devo sair da tempestade, antes de me afogar 
Talvez porque como todo conto de fadas, esteja esperando o príncipe se aproximar

E num piscar de olhos me salvar dessa escuridão
E ao acordar descobri que tudo não passava de um sonho
E você continuava aqui, do meu lado.

GRITOS

Meus gritos ecoam nesse silêncio
Vazio que perturba minha alma e aflige meu coração
Porque não suporto tanta agonia

Me vejo perdida
Na espectativa de ouvir-te
Oh, som que traz alegria e a sensação de não está só

Nesse universo de idéias, a vida passa depressa
O tempo me perde em meio aos compromissos
E mesmo tão ocupada, sinto-me coagida pelas paredes das idéias

Sonho a cada dia ter mais tempo para ouvir:
O canto dos pássaros, o cair da chuva
O barrulho do vento, o rítmo acelerado da metrópole
E aos meus amigos deixados pelo caminho

Um bom dia, até mais ou volte sempre
Para ter a certeza de não estar só…
E nunca deixar de ouvir quando diz que me ama

EMBARALHANDO PALAVRAS

Gostaria que alguém me dissesse porque as palavras saem melhor quando estamos angustiados. Ainda não vi um momento melhor para escrever do que quando chega a tal da crise existencial.

Estamos bem, podemos sonhar, até planejar, mas escrever…ah! Isso nunca vi acontecer. As palavras dançam em rítimo acelerdo, as idéias aparecem, mas se embaralham em meio a tantas avenidas e circuitos cerebrais.

Deve ser isso! Na crise, não tentamos arrumar as letras. Apenas as jogamos em cima do papel, ou socamos nossos teclados como se descontássemos toda a raiva no que escrevemos. Nesse momento descobrimos escritores e até poetas escondidos em nós.

A palavra liberta da angústia que o silêncio que existe apenas em nós traz, e o qual passamos a vida toda tentando fazer com que o outro entenda.